O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
lamentou, na tarde desta quarta-feira (27) que o PT não tenha votado
nesta terça (26) nenhum item da reforma política colocado em pauta por
ele. Cunha criticou a legenda, recordando que a presidente Dilma
Rousseff defendeu reforma. "No dia em que houve a eleição em segundo
turno para presidente da República, a própria presidente (Dilma) na sua
primeira fala defendeu a reforma política e o seu partido não quer votar
nada. A verdade é que todos defendem no discurso a reforma política e a
grande maioria decidiu não mudar nada", disse. Cunha criticou também os
políticos que se elegeram com a bandeira da reforma política e, quando
tiveram a oportunidade de votá-la, rejeitaram as propostas apresentadas.
"A Casa está tomando a sua decisão e se a decisão é manter o que está
(valendo na lei eleitoral atual), significa que todo esse discurso de
que precisa mudar é um discurso que não tem amparo naqueles que foram
representados aqui pelas ruas", disse. "Você tem vária maneiras de fazer
uma reforma, especialmente não votando. Quando você não vota, você
optou por ficar como está", observou. Ele disse, ainda, que ele pautou a
reforma para atender a uma demanda da sociedade. "Isso é uma vitória da
democracia, é uma vitória da Câmara, que consegue fazer as pautas do
que a sociedade quer. A sociedade queria votar a reforma política. Eu
pautei pela sociedade, não tem projeto de ninguém, tanto que a gente não
está votando um projeto inteiro, o que seria tentar impor uma reforma",
considerou. Cunha recusou ser taxado como derrotado pelo fato de o
plenário ter rejeitado o distritão defendido por ele. "Eu me sinto
vitorioso, porque não me lembro de alguém que conseguiu botar para
votar. Eu consegui botar para votar da forma como está colocada, com
todos os pontos sendo votados rapidamente, com todos podendo expressar
sua posição", afirmou. A Câmara retoma na tarde desta quarta-feira (27) a
votação de outros pontos da reforma, como o financiamento privado
restrito a partidos - a proposta do PMDB para autorizar doações também
aos candidatos foi rejeitado -, o fim das coligações, o fim da
reeleição, a coincidência de mandatos e o voto facultativo geral. No
caso de menores de 18 anos, maiores de 70 anos e analfabetos, fica sendo
facultativo tirar o título eleitoral. Para as demais pessoas acima de
18 anos, mesmo com o voto facultativo, o alistamento eleitoral continua
sendo obrigatório. O presidente, contudo, não acredita que os temas irão
avançar em plenário. Cada item precisa de 308 votos para ser aprovado.
"Na medida em que (a Câmara) quer manter o atual modelo, não vai votar
fim de coligação proporcional, cláusula de barreira. Dificilmente vai
votar a coincidência de mandato", disse, indicando que "talvez" seja
aprovado o fim da reeleição.
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