sábado, 1 de novembro de 2014

A
Lei Anticorrupção deve ser regulamentada até o final deste ano, de
acordo com expectativa do ministro da Controladoria-Geral da União
(CGU), Jorge Hage. “Espero que assim seja. Claro que não posso assumir
compromisso em nome da presidenta Dilma [Rousseff], porque é ela quem
vai assinar o decreto. Mas, pelo avanço das discussões e das conversas
conduzidas já nesta etapa, na Casa Civil, tudo indica que sairá muito
proximamente o decreto”, disse Hage. O ministro participou, na
sexta-feira (31), de seminário do Instituto dos Advogados de São Paulo
(Iasp) para discutir a Lei Anticorrupção, que ele costuma chamar também
de “lei da empresa limpa”. Segundo o ministro, falta apenas “o
ajustamento de alguns detalhes da legislação” para que a lei possa ser
regulamentada. A Lei Anticorrupção (12.846/13) foi sancionada em agosto
do ano passado, no “calor das manifestações”, segundo ele, mas ainda
falta ser regulamentada. Ela responsabiliza as empresas por atos de
corrupção contra a administração pública e define punições que variam de
0,1% a 20% do faturamento bruto do exercício anterior ao do processo
administrativo. Caso não haja informação sobre faturamento, a multa à
empresa pode ser estabelecida entre R$ 6 mil e R$ 60 milhões. A lei
também proíbe que as empresas envolvidas em episódios de corrupção
recebam recursos de instituições financeiras públicas. Também não podem
participar de processos de licitação nem contratar com o poder público
durante o período de cumprimento da sanção. A lei pode levar até ao
fechamento da empresa. A multa, ressaltou o ministro, nunca será
inferior ao valor da vantagem obtida, e caso a multa não seja paga no
prazo, a empresa será inscrita na dívida ativa. Uma das controvérsias da
lei, disse o ministro, envolve as empresas públicas. Uma questão
controvertida, segundo Hage, é se as empresas públicas também estariam
sujeitas a todas as penalidades, incluindo o fechamento da empresa e a
interdição de suas atividades. "Imagina uma empresa de água e esgoto ter
suspensas suas atividades. Isso me parece impensável. A aplicação da
lei para as empresas estatais é prevista sim, mas tem que ser feita
dentro do princípio da razoabilidade”, falou. Embora a lei esteja em
vigor desde janeiro, ela ainda não foi aplicada, porque não ocorreu
nenhum fato posterior, segundo o ministro. Perguntado se o caso da
Operação Lava Jato, que envolve a Petrobras, não poderia render punição à
empresa, prevista já na Lei Anticorrupção, ele explicou que não, pois o
fato é anterior à lei, embora o conhecimento sobre o episódio só tenha
se tornada público este ano. Informações da Agência Brasil.
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