Marisa Letícia Lula da silva, que teve a morte cerebral declarada nesta quinta-feira (2) fez parte da história do Brasil não por ser "apenas" a mulher do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lado a lado com ele, a
ex-primeira-dama foi figura ativa durante as greves do ABC paulista,
cruciais durante a ditadura militar. Marisa cortou e costurou a primeira
bandeira do PT, há quase 37 anos, e organizou uma marcha formada só por
mulheres quando Lula e outros líderes sindicais foram presos nos anos
80. Discreta nas campanhas presidenciais de 89, 94 e 98, Marisa emergiu
em 2002 como um dos bastiões de Lula - talvez por interferência do
marqueteiro João Santana, talvez por conta da independência após os três
filhos atingirem a vida adulta. Durante os oito anos do governo do
petista, foi criticada por não assumir um papel ativo em projetos
sociais do governo, historicamente relegado à figura da primeira-dama
que Marcela Temer, por exemplo, já foi aferrada. Sempre lembrada por
Lula em seus discursos de agradecimento, "Dona Marisa" esteve ao seu
lado no pior momento de saúde que o ex-presidente enfrentou, um câncer.
Foi ela, inclusive, que raspou o cabelo e a icônica barba de Lula em um
raro destaque midiático. Nos últimos anos foi levada para as
investigações da Operação Lava Jato e alvo de ações de busca e apreensão
em casa, além de sofrer indiciamentos da Polícia Federal, o que muitos
acabaram relacionando à causa de sua morte.

Marisa e Lula em 1984 | Foto: Acervo / PT

Marisa e Lula em 1984 | Foto: Acervo / PT





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