Após quase dois meses de atraso, a Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) do Futebol foi instalada nesta terça-feira (14). Em uma rápida
reunião, o senador e ex-jogador Romário (PSB-RJ) foi escolhido
presidente da comissão e o senador Romero Jucá (PMDB-RR),
como relator. Por conta do recesso parlamentar, que inicia na próxima
semana, a comissão deve começar efetivamente a funcionar apenas em
agosto.Romário disse nesta terça que o objetivo da comissão será
investigar as irregularidades no mundo do futebol, a começar pela
Confederação Brasileira de Futebol (CBF). "Eu espero que quando a CPI
estiver finalizada os brasileiros conheçam todas aquelas pessoas que
fazem mal ao futebol e que os culpados paguem pelos seus crimes", disse.
Ele afirmou que vai trabalhar para que sejam quebrados sigilos dos
atuais e de antigos dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol
(CBF), como Marco Polo Del Nero, atual presidente, e Ricardo Teixeira,
ex-mandatário da entidade. O senador disse ainda que a comissão vai
buscar ter acesso aos dados das investigações do FBI e da polícia suíça
que levaram à prisão o ex-presidente da CBF José Maria Marin, no dia 27
de maio. O fato foi o que levou Romário a trabalhar pela abertura da
CPI. A demora para instalar a comissão foi articulada pelo PMDB, que
mantém estreitas ligações com a CBF. Fernando Sarney, um dos filhos do
ex-presidente José Sarney, por exemplo, é vice-presidente da
confederação. Por conta disso, o partido escolheu um dos nomes da sua
mais estrita confiança para a relatoria da comissão. Nesta terça, Jucá
relativizou o fato de ter sido escalado para fazer parte da CPI.
"Eu fui convocado pela experiência de ser relator de várias matérias. O
presidente Romário tem história e experiência dentro e fora do campo.
Dá para, somando experiências, a gente montar uma bela seleção e não
perder de 7 a 1, virar o jogo", brincou. Jucá reforçou que a CPI vai
convocar e quebrar o sigilo de quem "for preciso". "Nós não queremos
blindar ninguém. A CPI é feita para investigar. Nós queremos levantar a
fundo todos os fatos para que possa ser responsabilizado quem
efetivamente tenha cometido algo ilícito", disse. Ao todo, a comissão
tem 11 titulares e oito suplentes. O prazo de funcionamento da CPI é de
180 dias e, além de investigar questões relativas à CBF, também vai
avaliar os contratos firmados para a realização da Copa das
Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014.
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