A denúncia oferecida contra Alberto Youssef, Fernando Baiano, Paulo
Roberto Costa e outros nove investigados na Operação Lava Jato na última
terça-feira (29) trouxe como prova uma correspondência eletrônica entre
executivos da Camargo Corrêa sobre as obras da barragem de Pindobaçu,
na região de Jacobina. O e-mail, enviado por Pedro Brito, cita
nominalmente um acordo entre empreiteiras para obras estatais. “Não
entreguei a proposta devido ao consenso das empresas que fazem parte do
acordo, no qual todas o cumpriram, de que nossa proposta só seria usada
caso fôssemos competitivos com as possíveis furadoras do acordo, a
decisão de não entregar foi mais em função de manter a integridade do
grupo para o mercado futuro, e claro depois de verificar que não
tínhamos a menor possibilidade de ganhar a obra ou de executá-la pelo
preço do primeiro colocado”, escreve Brito. De acordo com o executivo,
um erro por parte da comissão de licitação permitiu que as empresas
conhecessem o preço das concorrentes antes da entrega de uma nova
proposta.
Barragem de Pindobaçu foi apontado como possível alvo de cartel de empreiteiras | Foto: Divulgação
A troca de e-mails aconteceu em 2001 e, um ano depois, a licitação foi
vencida pela EIT, com custo de R$ 23 milhões e financiada pelo Banco
Mundial, com contrapartida do governo da Bahia. Logo após a inauguração,
no entanto, em 2005, o lago foi esvaziado depois que fissuras no
paredão assustaram moradores da região. Encaminharam propostas para
participar do certame Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, OAS, Queiroz
Galvão, DM (sem identificação) e EIT, que apresentou a proposta mais
cara no primeiro momento, mas acabou vencendo a licitação. A denúncia
acatada pelo juiz Sérgio Moro aponta ainda o pagamento de propina de 2%
para dirigentes da Diretoria de Serviços da Petrobras na obra de
construção e montagem do píer do Terminal de Regaseificação da Bahia -
TRBA, em Salvador (BA).
Barragem de Pindobaçu foi apontado como possível alvo de cartel de empreiteiras | Foto: Divulgação






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